Abraço fraterno <br> de toda a Festa
Os momentos de solidariedade nos espaços das Organizações Regionais (OR) do Partido assumem um papel cada vez mais central. É o que se depreende se o aferidor for a afluência de visitantes às seis iniciativas realizadas com a presença de representantes de partidos que enviaram delegações à Festa do Avante!.
Exemplo disso mesmo foi o momento de solidariedade para com o Saara Ocidental, realizado na OR do Porto do PCP, na manhã de sábado, com a presença de Ahamed Fal, representante da Frente Polisário em Portugal, de Jadiyetu Mokhtar, responsável do Departamento Internacional do partido saarauí, e de Ilda Figueiredo e Carlos Carvalho.
No debate moderado pela dirigente do PCP e do Conselho Português para a Paz e a Cooperação, Ahamed Fal contextualizou a luta do «povo do deserto» e lembrou que a razão da ocupação marroquina reside no saque dos recursos naturais. Já Carlos Carvalho sublinhou a solidariedade e o apoio prestados desde sempre em Portugal, e em especial pelo Conselho da Paz, à causa da autodeterminação do Saara Ocidental. Solidariedade política, antes de mais, mas também material, através do envio de ajuda destinada a aliviar as muitas carências de um povo que depende do auxílio internacional.
«Tem sido crescente a revolta entre o povo saarauí, sobretudo entre os jovens», adiantou ainda Carlos Carvalho, dando, assim, o mote para a intervenção de Jadiyetu Mokhtar.
Perante uma plateia que aumentava à medida que avançava a iniciativa, a dirigente da Polisário pegou na deixa e destacou que nos acampamentos de refugiados situados no Sul da Argélia e nos territórios ocupados, são os jovens saarauís quem assume a dianteira do combate. Luta, explicou, que tem na divulgação internacional um importante elemento, daí o agradecimento deixado ao PCP. Luta, acrescentou ainda, que se desenrola nas difíceis condições da repressão, da clandestinidade e da miséria impostas por Marrocos; que prossegue apesar da tentativa de liquidação do povo saarauí, dos seus direitos, da sua cultura e costumes, e que não vai parar de se expressar de forma pacífica até à realização de um referendo sobre a autodeterminação, solução definida, aliás, desde 1991, no quadro das Nações Unidas.
Este é um conflito político similar ao que opunha Timor Leste à ocupação indonésia, frisou Jadiyetu Mokhtar, antes de vincar a determinação saarauí em resistir e superar os mais difíceis obstáculos, caso do crescente apoio militar de Espanha e França a Marrocos.
Exemplos de resistência
Habituado a superar constrangimentos está, também, o povo de Cuba, que apesar do cerrado bloqueio imposto pelos imperialistas norte-americanos, prossegue o objectivo de construção do socialismo, frisou Diana Simões, no momento de solidariedade ocorrido sábado, a seguir ao almoço, no espaço da OR de Braga. Simultaneamente, decorria em Lisboa uma iniciativa semelhante de solidariedade com o povo da Turquia.
Depois da intervenção da dirigente da Associação de Amizade Portugal-Cuba, organização que divulga o exemplo revolucionário e a realidade cubana, combatendo calúnias e falsificações, Raúl Molina, do Partido Comunista de Cuba, garantiu que o propósito é edificar uma sociedade onde o que cada um necessita é mais importante do que aquilo que possui, e manifestou-se satisfeito por, na Festa do PCP, sobressaírem «os sonhos, ideias e luta que partilhamos».
Convergência verificou-se, igualmente, entre participantes e oradores no momento de solidariedade para com a Palestina, participado por mais de uma centena de pessoas, ao início da tarde de domingo, na OR do Alentejo.
Depois de Fayez Badawi, da Frente Popular de Libertação da Palestina, e Jamal Alarja, do Partido do Povo Palestiniano, terem destacado a urgência da luta, sob qualquer forma, por uma paz justa na Palestina e pelos direitos do povo palestiniano, da assistência ouviram-se palavras de apoio, mas, sobretudo de apreensão face à perspectiva de uma agressão imperialista à Síria. Intervenção que, a ocorrer, incendiará todo o Médio Oriente com consequências dramáticas na região – a exemplo do que sucedeu no Iraque, invadido e devastado sob os mesmos falsos pretextos e acusações dos EUA –, e em particular para as centenas de milhares de palestinianos que vivem na Síria e nos países vizinhos.
Desafios exaltantes
Ainda no sábado à tarde, realizaram-se, no pavilhão da OR de Leiria, e no espaço de Setúbal, dois momentos de solidariedade com a Venezuela Bolivariana e com os trabalhadores e o povo do Brasil, respectivamente.
Neste último, Marcelino Granja, do Comité Central do Partido Comunista do Brasil, e Ângelo Alves, da Comissão Política do PCP, notaram os enormes desafios que enfrenta um país de dimensão continental, com uma história marcada pelo colonialismo, a exploração e a dependência do imperialismo. Graças à afirmação soberana alcançada com os dois governos liderados por Lula da Silva, e prosseguida pela presidente Dilma Rousseff, o Brasil não é mais um aliado dos EUA na subalternização do subcontinente. Pelo contrário, com outras nações da região, procura caminhos alternativos.
Não obstante, o Brasil continua a ser um país capitalista onde coexistem todas as contradições típicas do sistema, agudizadas, nos últimos anos, pela crise mundial. São as consequências disso mesmo que, concordaram os oradores, estão na base dos mais recentes protestos populares no país. As reivindicações centrais neles expressas e algumas das organizações que promoveram as manifestações, não são alheias ao PC do Brasil, que valoriza não apenas a acção das massas, mas também o conteúdo da resposta por parte do poder às principais exigências, sublinhando, no entanto, a complexidade do processo de transformação no quadro da correlação de forças existente e a necessidade de unidade para avançar.